top of page

REVOLUÇÃO CULTURAL E DIRECIONAMENTO PARA A ESQUERDA E O SOCIALISMO

Foto do escritor: Admin
Admin
21 de abr.
7 min de leitura

Hoje resolvi escrever algo sobre a conjuntura nacional, envolvendo o direcionamento da política, considerando as estratégias usadas pela esquerda para se manter no poder.


Um pensamento que tem embasado o pensamento político de esquerda, tem base em Antônio Gramsci.


Formado em letras pela Universidade de Turim, Gramsci (1891-1937) colaborou com publicações de esquerda e militou no Partido Socialista Italiano e, depois, no Partido Comunista Italiano, que ajudou a fundar.


Entre 1922 e 1936, Gramsci viveu em Moscou como um delegado da Internacional Comunista. Em 1926, Gramsci foi preso e só deixou a prisão seis dias antes de sua morte, em 1937. Durante o período de prisão, Gramsci escreveu sua principal obra, os Cadernos do Cárcere, que soma 33 volumes.


Nessa obra, Gramsci sugere que, ao invés da revolução armada, seja usada uma revolução cultural.


O ideário de Gramsci tem uma relação muito próxima com Maquiavel, que defendia que o príncipe deveria dar prioridade à aquisição e a manutenção do poder, ainda que tenha que usar ferramentas moralmente condenáveis. Gramsci retomou esse conceito, mas colocou o partido político no lugar do príncipe. Ou seja, o partido é a medida de moralidade.


Segundo Gramsci, a instituição que assume o poder deve ocupar o espaço do pensamento religioso e influenciar todas as áreas da vida humana.


Observando a trajetória do PT – Partido dos Trabalhadores, usou e continua usando as teses de Gramsci para instituir no país um regime comunista/socialista, ainda que também ser observadas outras correntes no PT, inclusive o stalinismo.


As teses de Gramsci defendem uma tomada de poder gradual e, de alguma forma, pacífica, sem usar de uma insurreição armada. Segundo Gramsci, a classe dominante mantém o poder não apenas pela força, mas pelo consentimento, difundindo sua visão de mundo por intermédio da cultura e da ideóloga.


Ao contrário da “guerra de movimento”, na revolução russa, Gramsci propõe uma disputa lenta e silenciosa para ocupar posições nas instituições da sociedade, como escolas, faculdades, igrejas, etc. Esta revolução passiva é um processo de adaptação e mudança gradativa do tecido social, sem uma ruptura abrupta com a ordem estabelecida.


Gramsci propõe desconstruir a hegemonia cultural e assumir o controle do Estado. Essa desconstrução levaria o socialismo a ser a nova cultura dominante.


Essa prática iniciou lá pelos anos 60, com o aparelhamento gradativo de instituições, tais como setores públicos governamentais, escolas, universidades e faculdades, setores da cultura e as igrejas.


Para manter esse aparelhamento e o direcionamento para o socialismo, os seguidores desta nova postura política utilizam de diferentes estratégias para silenciar o posicionamento dos opositores. Vamos ver alguns:

 

1.     Ataque Ad Hominem: Quando debatedor não tem argumentos, os argumentos são rasos ou quando o opositor tem argumentos fortes que combatem o argumento do debatedor, este deixa de debater o tema em questão e passa a atacar o opositor, às vezes até de forma grosseira, visando motivar o opositor a desistir do debate;

 

2.     Espiral do Silêncio: É uma teoria da cientista política Elisabeth Noelle-Neumann, que descreve como indivíduos silenciam opiniões divergentes por medo do isolamento social, quando percebem que a sua visão é minoria. Esse comportamento torna a opinião dominante mais forte do que é.

As pessoas com opinião minoritária monitoram o clima de opinião e calam-se quando sentem que sua posição poderá gerar isolamento ou zombaria.

A mídia, assim como as redes sociais, têm um papel essencial, porque moldam a percepção de qual é a opinião majoritária e a minoria tende ao silêncio.

Quanto mais a minoria se cala, mais forte a visão oposta silencia.

Para romper a espiral é necessário que as pessoas não se calem e não tenham medo do isolamento.

Podemos ver esse comportamento, quando grupos postam nas redes sociais matérias que não trazem necessariamente a verdade ou uma verdade parcial, fazendo uso, inclusive, de montagens de imagens para ratificar a verdade parcial ou inverdade, porém gerando um convencimento de pessoas que ignoram os fatos verdadeiros;

 

3.     Ataque aos pilares da sociedade: Sabe-se que a sociedade possui quatro pilares sólidos ou elos, que a mantém resistente contra as tentativas de mudança dos padrões e fazem parte do que Gramsci chamou de revolução cultural, ou seja: para enfraquecer a resistência a esta revolução cultural, é preciso enfraquecer estes pilares ou elos da sociedade.

 

Os pilares são:

 

a.     Escola: Instituição reúne as condições para estabelecer em massa o conhecimento, o pensamento, a lógica, a disciplina e a preservação de valores conservadores. Como são os ataques à esta instituição? Pela desvalorização da disciplina, sugerindo que a rigidez na disciplina não é saudável; pela relativização da hierarquia; pelo afastamento da família como responsável pela educação comportamental e de valores e pela motivação para o ataque ao professor, inclusive usando de violência.

 

b.     Família: Talvez o elo mais forte dos quatro, junto com a escola, a família é o berço da educação do aluno e se sustenta pela atribuição de competências aos pais, sendo que a figura paterna é reconhecida pela disciplina e definição de limites, enquanto a mãe é reconhecida como provedora do alimento. Ambos os pais devem reconhecer estas atribuições, para que os filhos também o reconheçam. Fragilizar esta relação, também fragiliza a percepção que os filhos têm de hierarquia, disciplina e paternidade.

Como são os ataques a esta instituição? Pela generalização do papel dos pais e pela criação do termo “gênero”, para definir o sexo biológico masculino, feminino, cisgênero (pessoas que se identificam com o sexo biológico atribuído no nascimento), transgênero/transexual (pessoas que se identificam com um gênero diferente do sexo biológico atribuído ao nascer), não-binário (pessoas que não se encaixam exclusivamente no gênero “homem” ou “mulher”, podendo incluir ambos, nenhum ou variações), gênero fluido (gênero que pode mudar ao longo do tempo), agêneros (pessoas que não se identificam com gênero nenhum) e gênero neutro (pessoas que não se identificam com gênero nenhum, independente do sexo biológico), etc., em oposição ao termo “sexo”, que é representado pela figura masculina e feminina e corresponde ao sexo biológico.

Vejam que não estamos falando de orientação sexual (heterossexual, homossexual, bissexual, pansexual ou assexual). Estas definições têm uma outra abordagem que não vamos explorar aqui. Estamos falando de atribuições sexuais, a partir da percepção de cada indivíduo. Estas atribuições criam divisões e ruptura familiares, deixando a instituição família mais frágil.

 

c.      Igreja: Instituições que tem as atribuições suficiente para fortalecer a fé, os valores, as crenças e, porque não, a hierarquia. Como são os ataques à esta instituição? Com a relativização da fé, criação de definições vinculadas às diferentes denominações religiosa, que não são verdadeiras, ruptura de hierarquias, vinculação da pregação da fé e da crença com conceitos político-partidários. Vejam que não estamos falando que a Igreja não pode ser política. Dizer isso é relativizar o conceito de política. Jesus Cristo é um exemplo de um posicionamento político. No momento em que dizemos “sim” ou “não”, estamos sendo políticos, mas não necessariamente partidários.

Relativizar a instituição Igreja permite que ela se enfraqueça, abrindo espaço para uma menor resistência à revolução cultural e a predominância de grupo no poder.

 

d.     Clube Social: Talvez seja o pilar que já se tenha conseguido destruir. O clube social a que se refere, quando falamos em pilares da sociedade, é aquele clube onde as pessoas se encontravam, onde havia diálogos sobre questões da localidade onde moram ou debates mais amplos, enquanto faziam uma espécie de “happy hour”. Muitos acordos políticos ocorreram nesses espaços, para fortalecer uma determinada liderança. Os clubes sociais de hoje não passam de instituições que ainda resistem ao seu fechamento e que fazem promoções e eventos para manter as suas finanças minimamente em condições de manter o patrimônio, além de locar os seus espaços para entidades ou restaurantes, com o mesmo propósito. O espaço de debates e diálogos reduziu-se significativamente ou não existe mais, o que torna esta instituição extinta como pilar da sociedade.

 

4.     Política de Identidade: É a estratégia que se baseia em pautas de grupos sociais, como gênero, raça, sexualidade e cultura, visando buscar reconhecimento, direitos e igualdade, focando com frequência em minorias ou grupos supostamente marginalizados e tem como propósito construir narrativas contra os valores judaico-cristãos.

Com atenção, observamos focos em grupos específicos como indígenas, negros, pessoas com deficiência, mulheres e LGBTI+, etc. O foco é apontar como as raças, classes, gêneros e sexualidade se cruzam para criar opressões e gerar uma espécie de “guerrilha cultural”. Essa política é muito presente na tentativa de manutenção do poder, haja vista que enfraquece a sociedade em geral, que junto à Espiral do Silêncio, tende ao silêncio, para não cair no isolamento ou sofrer a zombaria característica dessa estratégia.

 

5.     Rótulo de FASCISTA: É muito frequente representantes da esquerda rotularem pessoas que têm opinião contrária a eles, como fascistas. Virou a palavra preferida de quem não sabe argumentar.

Trata-se de um rótulo jogado no ar, para interditar um debate, gerar medo, criar ódio e, principalmente, evitar que as pessoas pensem. De alguma forma, o termo “fascista” é um xingamento, quando usado de forma pejorativa e sem considerar o verdadeiro significado.

Mas o que é ser um fascista? O que é fascismo?


Fascismo trata-se um modelo político de governo, que traz as seguintes característica:

·       Concentração extrema de poder no Estado, onde tudo é pelo Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado;

·       As liberdades individuais são suprimidas e a alegação é de que é em nome do “bem coletivo” imposto;

·       Os adversários políticos são perseguidos e criminalizados;

·       O Estado controla a imprensa e determina a narrativa oficial;

·       Uso do medo, da censura e da intimidação como método de governo;

·       O Estado está acima do indivíduo, sempre.


Dito isto, para identificar nos dias atuais, quem é fascista e quem não é, podemos fazer algumas perguntas:

1)     Quem defende a supremacia do Estado e quem defende o Estado mínimo?

2)     Quem defende a regulação da mídia, comportamento, opinião, linguagem, economia e até o pensamento?

3)     Quem persegue, prende, censura e silencia os adversários políticos?

4)     Quem controla a imprensa e define a narrativa oficial do Estado, atribuindo às posições contrárias a acusação de mentiras e fakenews?

5)     Quem censura a opinião contrária sob o argumento de que é a “defesa da democracia”?

6)     Quem defende o controle do que pode e não pode ser dito?

7)     Quem governa pelo medo? Medo do discurso, da palavra, da opinião?


Chamar os conservadores e os que defendem posicionamentos de direita de fascistas não passa de uma cortina de fumaça, para esconder a narrativa da esquerda que, por sua vez, são os verdadeiros fascistas, que o dizem fazer pelo “bem da democracia”.


Agora que você conhece algumas estratégias da esquerda para calar os opositores e, pela revolução cultural, branda e gradativa, procure observar o cenário político e a conjuntura nacional.

 

Prof. Uwe Roberto Strauss

EDUCADORPONTOCOM – Capacitação e Desenvolvimento

 
 
 

Comentários


bottom of page