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  • Uwe R. Strauss

VOCÊ SABE COMO OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO MANIPULAM A OPINIÃO PÚBLICO?


Temos visto, nos últimos meses, um verdadeiro processo de desinformação e tentativa de formar opinião pública, contra o atual governo, por parte de diversos meios de comunicação.

Com o isolamento social e a necessidade de permanecer em casa, além da antecipação do recesso escolar de julho, para maio, tive a oportunidade de rever algumas leituras e tentar decifrar como ocorre esse processo de desinformação.

Eu lembrava vagamente de um livro que li, nos idos anos 80, de Pedrinho A. Guareschi, intitulado Comunicação & Poder – A Presença e o Papel dos Meios de Comunicação de Massa Estrangeiros na América Latina, publicado pela Editora Vozes, em 1985 – 5ª Edição.

Além de elencar dados significativos sobre os meios de comunicação e a presença de rádios, emissoras de televisão, jornais, etc., bem como filmes, histórias em quadrinhos e livros, Guareschi faz um estudo sobre diversas técnicas de como a mídia trabalha com a opinião pública, entre as quais, duas muito interessantes, que destaco aqui:

Técnicas de Diluição e Recuperação: São técnicas desenvolvidas pelos meios de comunicação e analisadas por Dorfmann e Mattelart, que fazem uma análise das técnicas psicológicas empregadas pelos meios de comunicação para diluir determinados valores e instalar novos.

Destas técnicas, as mais importantes são a diluição e a recuperação.

A Técnica de Diluição é uma estratégia que consiste em banalizar um fenômeno estranho ao corpo social ou um sintoma de mal grave, de tal modo que ele apareça como um incidente isolado, separado do seu contexto social. Assim, esse fenômeno pode ser automaticamente rejeitado pela opinião pública, como um inconveniente passageiro. Um incidente cuja responsabilidade pode ser atribuída a alguém ou a um grupo, é minimizado e esvaziado pela sua significância sócio-política e apresentado como uma fatalidade por obra da natureza.

A Técnica de Recuperação é uma técnica usada pelos meios de comunicação para “reinterpretar” para o expectador um fenômeno que não se quer que passe despercebido, mas é informado com uma espécie de “releitura” e reinterpretação do interlocutor. Usa-se esta técnica para, por exemplo, apresentar um fenômeno potencialmente tão perigoso ao corpo social, que justifique a contínua necessidade do sistema social existente e de seus valores e, muitas vezes, justificar, também, a violência e repressão que fazem parte do sistema.

Sabe-se que os critérios para a seleção de notícias são conscientemente ou instintivamente baseados nos interesse políticos e econômicos dos sistemas, governos e grupos econômicos. Para isso, usam-se rótulos, adjetivos e definições de conotação negativa ou positiva, para estigmatizar objetivos destes sistemas, governos ou grupos econômicos.

Uma estratégia muito usada pelos meios de comunicação de massa é a distorção das notícias, não necessariamente com uma falsa apresentação dos acontecimentos, embora atualmente também, por parte de alguns meios de comunicação, mas uma seleção arbitrária e uma apreciação facciosa da realidade.

A execução destas estratégias pode acontecer com a exagerada ênfase dada a acontecimentos que não possuem real importância, juntando fatos isolados e apresentando-os, como um todo, sem que esse todo tenha jamais existido; a informação falsificada ou viciada pela apresentação de fatos, de tal maneira que conclusões implícitas, tiradas do contexto, sejam favoráveis aos interesses do sistema, dos governos ou dos grupos econômicos e a distorção por pré-condicionamento dos acontecimentos.

Dito isto, vamos avaliar algumas apresentações propostas pela mídia, nos dias atuais.

Com a crescente influência da internet e das redes sociais, há muitos sites com notícias sobre os mais diversos temas e muitos deles com informações e notícias duvidosas. Estes sites, muitas vezes, são usados com a finalidade de serem usados nas redes sociais para a divulgação de notícias tendenciosas e fakenews. É uma nova onda, com o advento das redes sociais.

Eu costumo usar 3 a 4 filtros para avaliar se uma publicação em um site ou nas redes sociais tem chance de ser verdade ou não: 1) chamada bombástica ou de grande apelo; 2) uso de fontes fidedignas; 3) uso de referência de pessoas ou autoridades reais (o Google ajuda a saber isso) e, por fim, 4) apelo para compartilhar.

Também é comum encontrarmos links de sites, cuja matéria tem uma manchete bombástica e de grande apelo popular, mas a matéria minimiza dados e informações ou, até, nem sequer trata do tema da manchete.

Em geral, entre os grandes veículos de comunicação, podemos destacar a Folha de São Paulo; a Rede Globo, com o Jornal Nacional e suas afilhadas, na televisão aberta e a GloboNews, na televisão paga; as redes Record e SBT; o Estadão; os sites UOL, Yahoo e Terra e alguns sites que costumo chamar de “nanicos”, como o Brasil247 e a CartaCapital.

A rede formação da opinião pública, em geral, atualmente inicia com uma publicação da Folha de São Paulo, que atualmente apela para a formação da opinião pública contrária ao governo federal atual ou a uma autoridade governamental que confronte os princípios ideológicos dos jornalistas deste veículo de comunicação.

A publicação é replicada por outros jornais e sites de notícias menores, sem grande referência à Folha de São Paulo e comentada especialmente, nos veículos da Rede Globo, com enfoques diferentes, mas mantendo o apelo para a formação pública contra o governo federal atual.

No Jornal Nacional e nas várias edições da GloboNews, é possível observar uma estratégia de desinformação, ao usar frases negativas de impacto, para se referir à mesma notícia veiculada em outros jornais televisivos, de forma mais branda, como “Bolsonaro ataca”, “a declaração polêmica de Bolsonaro”, “crise no governo”, etc.

É possível identificar que estas frase são ditas com especial ênfase e, ao se referir ao governo federal, vêm acompanhadas da palavra “Bolsonaro”.

Esta estratégia é uma versão mais moderna da Técnica de Recuperação citada anteriormente. Percebam que essa associação negativa com o nome Bolsonaro cria uma acomodação dessa associação na opinião pública.

Em outras situações, quando houver uma notícia positiva, os jornalistas da Rede Globo camuflam a notícia e a palavra “Bolsonaro” é substituída pelas palavras “governo” ou “Brasil”, com o objetivo de afastar o caráter positivo da notícia da pessoa do Presidente da República.

No passado, era comum utilizar-se desse recurso da Técnica de Recuperação, ao noticiar uma catástrofe ocasionada por um terremoto ou algo assim, sendo que, em seguida, mostrava-se um fato altamente positivo em relação ao Brasil, geralmente da mesma natureza da notícia negativa, dando a sensação de que no Brasil nada daquilo acontece. Atualmente, esta estratégia é usada, quando o Presidente Jair Bolsonaro é associado a algo positivo. A notícia seguinte SEMPRE é desfavorável ao governo.

O caráter positivo de um acordo comercial, com uma viagem a algum outro lugar, é desvirtuado, maximizando e dando ênfase a eventuais polêmicas, ora nas falas, ora em algum acontecimento ou fato que aproxima o evento à viagem em si.

As expressões faciais também são características desta estratégia de recuperação. As expressões de decepção, frustração ou desaprovação, por parte dos principais locutores, não são necessariamente o resultado da sua posição pessoal, mas expressões ensaiadas, para dar ênfase ao desvio do objeto principal da notícia, enaltecendo fatos e aspectos que são inseridos para maximixar ou minimizar um evento.

Existem mais questões que se pode abordar neste processo e poderíamos ampliar estas observações para outros veículos de comunicação, tanto televisivos como escritos. Mas, até aqui, já podemos ter uma ideia do que se faz na mídia com o objetivo de criar uma determinada opinião pública, favorável aos grupos e instituições que têm interesses específicos.

Assistam aos jornais televisivos, leiam os jornais escritos, pesquisem na internet, mas sejam críticos na análise. O verdadeiro jornalismo não emite opinião. O verdadeiro jornalismo informa fatos e notícias. A opinião é de quem lê.

Prof. Uwe Roberto Strauss

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