Buscar
  • Uwe R. Strauss

O QUE VOCÊ DEVE SABER PARA VOTAR


Estamos novamente em época de eleições, desta vez, municipais. Porém, não são menos importantes. Em primeiro lugar, porque nestas eleições, votamos nos candidatos que deverão dirigir o executivo municipal, responsável pela administração do município e execução das demandas vindas do legislativo municipal, que tem por premissa legislar e fiscalizar as ações do executivo. Em segundo lugar, porque estas eleições são um termômetro para as eleições gerais, para Governador, Deputados Estaduais e Federais, Senadores e Presidente da República.

Todo período que antecede as eleições é um período conturbado, com ânimos exacerbados, agressões verbais e até físicas, além de lamentavelmente termos notícias de desavenças entre familiares, divididos pelas preferências partidárias.

As eleições gerais de 2018 criaram um novo cenário para a população, pela polarização das opiniões. Polarização porque saímos de uma pluralidade de pensamentos partidários, para uma polarização onde temos basicamente duas até, no máximo, três pensamentos com relação às tendências partidárias.

O Brasil possui, desde Dezembro de 2019, uma lista que contém 33 partidos diferentes. Com tal pluralidade partidária, é impossível imaginar que há tanto viés em relação aos conceitos de sociedade que todos estes partidos seguem.

Fica mais estranho ainda, quando pesquisamos a tendência destes 33 partidos e encontramos definições como esquerda, direita, liberal, esquerda conservadora, direita conservadora, esquerda progressista, direita progressista, centro, centro-esquerda, centro-direita, centro fisiológico, centro-esquerda liberal, extrema esquerda, extrema direita e por aí vai.

Como se não bastasse, os partidos se coligam entre si, mesmo tendo diferenças, com o único intuito de garantir a liderança nas eleições. Passadas as eleições, as intrigas, as diferenças e os desvios da identificação que levou a uma coligação geram conflitos, rompimentos e troca-troca de cadeiras, que são negociadas como se negocia um produto.

Então, vamos simplificar esta análise e avaliar conceitos que transcendem a ideia de “partido político”.

Já faz algum tempo que eu considero somente dois viés partidários, independente da sigla partidária. Ou você é CONSERVADOR ou é PROGRESSISTA/REVOLUCIONÁRIO. A ideia de “esquerda”, “direita”, “centro”, “liberal”, etc., é uma estratégia para pulverizar os votos e garantir a hegemonia de um pensamento. Os partidos normalmente enquadrados como sendo “esquerda” fazem isto muito bem.

O termo CONSERVADOR normalmente é atribuído àqueles que se opõe ao novo, se opõe às mudanças, se opõe às transformações. Em oposição ao termo CONSERVADOR, o termo PROGRESSISTA/REVOLUCIONÁRIO, atribuído àqueles que defendem a mudança ou ruptura, em oposição, segundo estes, aos que defendem a preservação do “status quo”.

Vamos nos reportar ao final do Século XVIII, período da Revolução Francesa, quando as utopias geraram instabilidade política e crise social na França. Vem deste período o pensamento “conservador”, que busca “preservar” princípios e valores atemporais, que devem ser conservados ou preservados.

Nos dias atuais, pronunciar-se como um “conservador”, muitas vezes é motivo de chacota, pois os “progressistas/revolucionários” deturparam este conceito, colocando-o no status de algo ruim e inadequado.

Ledo engano, pois o termo “conservador” tem o significado de “preservar”. Quem “preserva”, guarda o que é bom, o que é saudável, o que faz bem. Obviamente, você pode ser “conservador”, também, quando quer “preservar” maus costumes, práticas inadequadas, etc. Mas, não é este o perfil de um conservador.

Neste sentido, não importa se você é direita, esquerda, centro ou qualquer outra das tantas definições político-partidárias hoje existentes.

Eu, pessoalmente, divido as tendências em CONSERVADOR e PROGRESSISTA/REVOLUCIONÁRIO, identificando como CONSERVADOR aquele que identifica os bons valores e costumes de uma sociedade e tem uma prática que buscar preservar estes valores e identificando como PROGRESSISTA/REVOLUCIONÁRIO aquele que tem como premissa a ruptura com valores e costumes, buscando instalar os seus valores e o que entende como bons costumes.

Pois bem, ao identificar-me como um CONSERVADOR, sigo o entendimento de que o individualismo e as promessas de liberdade conduzem ao estatismo e ao totalitarismo. Ora, promessas de liberdade e promessas de ampla participação popular são características dos PROGRESSISTAS/REVOLUCIONÁRIOS, que usam desta fala para ganhar a adesão popular.

No entanto, por trás deste discurso de liberdade e participação popular, está a estratégia de dissolução da sociedade e das suas instituições tradicionais, que vai gerar um vazio, abrindo caminho para o crescimento da máquina estatal.

Já os “conservadores” buscam “preservar” as instituições intermediárias da sociedade (família, igreja, escola e comunidade local), colocando-se em oposição tanto ao individualismo, como ao estatismo e ao coletivismo.

É neste sentido que vejo o grande embate atual nas eleições, assim como o foi nas eleições de 2018 e o será nas eleições vindouras.

Há uma oposição entre o pensamento “conservador” e o pensamento “progressista/revolucionário”. Qualquer coisa a mais do que isso, não passa de uma tentativa de jogar uma cortina de fumaça, para que a população em geral não perceba esta polarização.

Sendo assim, é preciso avaliar o que está por trás de cada um dos pensamentos, o que podemos fazer, de forma muito resumida, assim:

· O pensamento “progressista/revolucionário” se aproxima daqueles movimentos, partidos e partidários de quem contribui para a dissolução da sociedade atual e das suas instituições tradicionais. O vácuo gerado por este processo permite o crescimento de teses que defendem a hegemonia da máquina estatal, em contraponto à iniciativa privada.

· O pensamento “conservador” (e porque não “preservador”?) se aproxima daqueles que defendem a manutenção das instituições “tradicionais e históricas (família, igreja, escola, comunidade local, etc...). A manutenção destas instituições permite a convivência entre sociedade privada e estado.

Por isso, não se deixe levar por candidatos e partidos que se apresentam com uma roupagem nova, deixando de lado símbolos que os identificam com as ideias marxistas, leninistas ou gramscistas.

Nestas eleições, é visível, quase gritante, a apresentação de partidos que outrora tinham uma roupagem vinculada aos ideais comunistas/leninistas/marxistas e hoje se apresentam com uma roupagem leve, despida dos símbolos característicos da revolução comunista de Lenin e Marx ou da revolução cultural da Gramsci.

Antes de escolher o seu candidato, avalie o seu perfil CONSERVADOR (que preza pela manutenção das instituições e deseja uma convivência entre iniciativa privada e estado) ou seu perfil PROGRESSISTA/REVOLUCIONÁRIO (que preza pela ruptura com conceitos tradicionais e deseja a dissolução da sociedade atual, para abrir caminho para a estatização da sociedade.

Avalie, também, a organização do seu candidato. A que partido ele pertence? Qual é o viés ideológico deste partido? É um partido conservador ou progressista/revolucionário?

Vou tomar a liberdade e, talvez até, a ousadia de sugerir alguns pontos para avaliar qual é o candidato que merece o seu voto:

1) Somos um Estado laico, mas não laicista. Isto significa que não temos uma religião oficial, mas jamais significa que não temos religião. Sendo assim, precisamos de lideranças alinhadas com princípios cristãos, ainda que dialoguemos com outras religiões, desde que não defendam posições e rituais não aceitos pelo cristianismo. Porque o cristianismo? Porque somos um país com origens cristãs, ainda que se deva respeitar as crenças primitivas dos povos nativos;

2) Avalie qual candidato se coloca a favor das instituições, independente de serem públicas ou privadas. Se houver candidato defendendo propostas que levam à estatização das instituições, ainda que de forma camuflada, desconfie. Este candidato é alinhado com o totalitarismo e nossas instituições estão ameaçadas;

3) Avalie se o seu candidato usa os pobres, os sem terra e sem teto, os índios, negros e etnias marginalizadas, LGBT´s para satisfazer as suas demandas, com o intuito de se mostrar a favor dos marginalizados, mas, ao contrário, apenas os usa para se posicionar de forma positiva aos olhos da população;

4) Fala-se muito em “justiça de gênero”, com o discurso de que é preciso uma sociedade igualitária entre os gêneros masculino e feminino. Muitos até ampliam esta “justiça de gênero”, incluindo gêneros que alegam ser frutos de uma questão cultural. Por trás deste pensamento, sutilmente, se trás uma visão gramscista, de desconstrução de conceitos;

5) Falando em masculino e feminino. Masculino e feminino não é gênero. Masculino e feminino é sexo. "Gênero" é uma classificação que integra a classificação dos seres vivos proposta por Carolus Linnaeus em sua obra "Systema Naturae", no Século XVIII e aceita até os dias atuais pela ciência. Nós, homens e mulheres temos um gênero “homo”, cujo significado é “ser humano”. Masculino e feminino é o sexo. Qualquer afirmação diferente desta, carece de confirmação científica.

6) Antes de votar, você conhece o Plano de Governo do seu candidato? Informe-se sobre as propostas dos candidatos e procure saber se as promessas e planos são exequíveis;

7) Não se deixe levar pelo canto da sereia de candidatos que cumprem facilidades e dizem somente o que o povo quer ouvir, porque está necessitado;

8) É muito fácil colocar propostas no papel. É preciso ver se a sua realização é possível, tanto logisticamente quanto financeiramente;

9) Veja se o que os candidatos estão prometendo, na verdade, já não existe. Porém, o candidato promete fazer, porque tem grande apelo popular e, muitas vezes, a população não sabe que o que o candidato está prometendo, na verdade já existe. Tenho visto muitas propostas assim. Candidatos prometendo programas de transparência que já existem, prometendo educação em tempo integral, sem dizer de onde virão os recursos financeiros, já que isto significa quase dobrar o orçamento com a educação e por aí vai;

10) Estamos em uma época onde notícias maldosas e mentirosas circulam pelas redes sociais, atualmente ampliadas de forma gigantesca, com os recursos tecnológicos e digitais e com as redes sociais tão popularmente utilizadas;

Por fim, filtre as informações da mídia. Esta tem usado, em geral, uma estratégia denominada “indução ao erro”, para formar opinião. Esta estratégia também é usada por pessoas, com o intuito de formar uma opinião que esteja alinhada com os seus interesses. A indução ao erro é observada quando uma notícia traz uma ênfase maior naquilo que interessa a um determinado segmento. Geralmente, nos sites de notícias e blogs, compartilhados nas redes sociais, a manchete traz uma informação com ênfase acentuada em um ponto, mas, ao ler a matéria, se identifica que a ênfase é muito menor do que é dito na manchete. A mídia sabe que a ampla maioria da população não lê a matéria e compartilha pelo seu título.

36 visualizações

© Todos os direitos reservados
     Criado por:

EDUCADORPONTOCOM Capacitação e Desenvolvimento é pessoa jurídica, registrada no CNPJ sob o nº 27.900.272/0001-02
Rio Grande do Sul - Brasil

WERKSTATT STUDIODESIGN