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APRENDEMOS NA CULTURA ANALÓGICA - EDUCAMOS NA CULTURA DIGITAL


Tenho lido sobre novas tecnologias na educação, especialmente com o uso de materiais de Robótica, FabLabs e Makerspace. A Robótica já vem sendo experimentada na escola há alguns anos, mas os FabLabs e Makerspace são opções novas nas escolas, opções ainda restritas a pouquíssimas escolas e geralmente com a necessidade de um altíssimo investimento financeiro para a sua implantação.

Tecnologia na escola não é algo novo ou recente. Já vem de muito tempo atrás, que as escolas investem em tecnologia na educação.

A minha experiência vem do início dos anos 90, quando as escolas estavam iniciando a implantação de seus Laboratórios de Informática, algumas usando equipamentos da família de computadores MSX, outras já utilizando equipamentos da família IBM.

Aqueles da atual geração de 20 ou 30 anos de idade, certamente não saberão do que se tratam os computadores da família MSX, mas é um grupo de computadores que existia no Brasil, além dos computadores da família IBM ou da família AMIGA. São hardwares diferentes, mas com funções muito parecidos.

O monopólio da tecnologia, a favor da IBM e da MICROSOFT, de origem norte-americana, fez com que os computadores MSX, de origem japonesa, não avançassem no Brasil. Os computadores da linha AMIGA ainda são vistos raramente, normalmente ligados a profissionais de edição de imagens e vídeos.

Estamos em uma época, para a qual a sociedade é conhecida como Sociedade da Informação. A informática, atualmente, faz parte de nossas vidas, de uma forma que não nos damos mais conta. Usamos a informática no computador pessoal, no notebook, no caixa de banco, no automóvel, no telefone celular, smartphones, smartv´s e outros.

Mas, como fica a educação neste cenário? As escolas vieram de uma geração do "tecnicismo", onde, segundo tal concepção, ensinar é basicamente uma técnica e o professor um mero aplicador de técnicas.

Nesta concepção, usar de tecnologia significa usar tecnologias educacionais ou tecnologias da educação.

Falar em "tecnologia NA educação" tem algumas nuances a mais, do que simplesmente aplicar técnicas para ensinar, usando as tecnologias educacionais ou tecnologias DA educação.

Tecnologias NA educação visa possibilitar o uso de tecnologias, quando educamos. Não significa usar a tecnologia como técnica para ensinar, muito menos significa sempre ter alguma inovação, quando se fala de tecnologia.

Usar tecnologia na educação não significa necessariamente inovação. Muitas tecnologias usadas atualmente já são antigas ou reproduzem tecnologias antigas, com alguma alteração no equipamento ou nos processos.

Por outro lado, quando a tecnologia traz algo realmente novo, junto vem a dificuldade com a formação de quem usa a tecnologia. É preciso entender que tecnologias verdadeiramente novas pressupõe o entendimento da cultura "digital", enquanto as formações dos professores com alguns anos de experiência, bem como os recém formados, ainda o foram na cultura "analógica".

Não é novidade para quem passou pelo período de implantação de computadores na escola, ora em Laboratórios de Informática, ora na própria sala de aula, que o uso destes equipamentos se restringiu ao uso de programas e aplicativos. Assim, foi como se fosse oferecida apenas mais uma disciplina sobre usos do computador. No início, foi novidade. Com o tempo, passou a se tornar chato e sem novidade.

Algum tempo depois, veio a facilidade de acesso à internet. A rede mundial de computadores passou a ser uma excelente fonte de informações, com os sites, portais, ferramentas de busca, aperfeiçoando-se cada vez mais.

Hoje em dia, o poder da internet como "espaço de comunicação" é a grande riqueza deste recurso. As redes sociais, como Facebook, Linkedin, Whatsapp, Instagram e tantos outros que surgem, são opções muito interessantes, sabendo-se usá-las.

Assim, temos a internet como fonte de informações, mas também como espaço de comunicação. Milhões de informações podem ser acessadas facilmente, hoje não somente do computador mas, também, dos smartphones e tablets.

A função da escola, neste mundo tecnológico, deixa de ser colocar a internet na escola, mas de colocar a escola na internet. Ou seja, não se trata de implantar a tecnologia na escola, mas levar a escola para dentro da tecnologia.

Para isso, é preciso um novo olhar, uma nova postura. O professor verdadeiramente deixa de ser o detentor da informação ou a chave para o acesso a ela. A informação está aí, está na rede mundial de computadores. A escola é incapaz de competir com a internet, se quiser ser uma "transmissora de informações". Chegou a hora da escola ser verdadeiramente um "espaço de conhecimento".

Como fazer com que o professor, que se viu na necessidade de entrar na era digital, enquanto os alunos já nasceram na era digital? É preciso que este professor saia da sua individualidade e se permita também aprender, ao invés de só ensinar.

Este discurso não parece novo, não é? Há quantas décadas se ouve no meio acadêmico, que o professor também deve saber aprender e não só ensinar. Pois estamos em uma fase, onde ou o professor entra de cabeça neste meio, ou ele ficará para trás. Não há volta. A geração daqueles que frequentam a escola tem o paradigma da cultura digital e sequer sabe o que é a cultura analógica.

O ambiente da escola passa pelo ambiente "virtual". No entanto, o "virtual" não é o oposto ao "real". O real permanece em vigor, mas o virtual passa a ser uma possibilidade a mais.

Com isso, passamos a ter espaço para novas linguagens, novas realidade, novos espaços, novas propostas.

Como fica o professor, neste novo momento? E o aluno? A posição nem é tão nova e diferente do que antes, mas fica extremamente explícita nesta nova realidade. O professor, mais do que nunca, precisa ser AUTOR DO SEU ENSINO, enquanto o aluno passa a ser AUTOR DE SUAS APRENDIZAGENS.

É preciso reaprender a conviver com a diversidade de tecnologias, mas permitir a coexistência da internet e do livro. Neste momento, em que os espaços "maker" começam, ainda que em número muito pequeno, a entrar nas escolas, para onde vamos como escola? Qual é o futuro que ainda está por vir? Qual deve ser o currículo da escola, para preparar este aluno para o futuro? Como elaborar este currículo?

Lidar com o novo, não é uma discussão tão nova assim. Já faz um bom tempo que se fala sobre na escola. Pessoalmente, desconfio de que não haverá um momento onde não haverá o novo na escola. Então, é um discurso que não passa de um discurso retórico e acadêmico.

A preocupação com o novo não deve ser com o que vem pela frente, mas como lidar com o novo, como trabalhar e como atuar na sala de aula com este "novo". Para isso, é preciso sair da mesmice da discussão inócua quanto ao que é útil ou inútil aprender, é preciso repensar o modo de fazer educação, é preciso que o sistema permita a flexibilidade necessária e possível, para a organização do currículo das escolas, sem engessamentos, é preciso resgatar velhas utopias e entrar de cabeça no pensar do fazer educativo. Precisamos, mais do que nunca, perceber quais possibilidades temos e o que podemos fazer com elas.

Prof. Uwe Roberto Strauss

EDUCADORPONTOCOM Capacitação e Desenvolvimento


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