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MANIFESTO DE CURITIBA DE 1970 A 2018


Em 05 de Novembro de 1970, os Pastores da IECLB - Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil Gottschald, Kunert e Schlieper, entregaram um documento denominado MANIFESTO DE CURITIBA à Presidência da República. No dia 6 de Novembro, de manhã, os 3 Pastores foram recebidos em audiência pelo Presidente da República. Foi um diálogo franco e cordial e que deixou clara a disposição pelo diálogo sobre os problemas que preocupam a nação. Para evitar exploração indevida da Manifestação nesta época pré-eleitoral, foi estabelecido, desde o início, que o conteúdo deste documento fosse publicado apenas depois do dia 15 de novembro, dia das eleições.

O Manifesto é resultado das deliberações do VII CONCÍLIO GERAL DA IECLB, realizado em 1970.

Neste ano de 2018, estamos novamente em um momento crítico para a nação e às vésperas de uma eleição geral. Muitas das teses registradas no Manifesto de Curitiba ainda são atuais e podem servir de base para a reflexão, neste momento de escolha de candidatos para Presidente de República, Deputados Federais e Estaduais e Senadores, especialmente em uma época onde se denuncia o Estado Brasileiro como um Estado Laico, o que não significa sem religião:

1. A mensagem da Igreja Cristã visa à salvação do homem e esta transcende as possibilidade humanas. Jesus Cristo é o Senhor e Salvador do mundo; 2. A Igreja não pode ser sectária, guardando para si a mensagem que lhe foi confiada. Ela deve testemunhar a Palavra de Deus e não pode se esquivar deste ministério; 3. A mensagem da Igreja é dirigida ao homem como um todo e não tenderá a regular as relações entre cristãos, mas visa o diálogo com outros cidadãos ou agrupamentos, sobre TODAS as questões relacionadas com o bem comum; 4. A mensagem "pública" da Igreja Cristã não pode ser divorciada do seu testemunho "interno". A IGREJA NÃO PODE CONDICIONAR SEU TESTEMUNHO PÚBLICO AOS INTERESSES DE IDEOLOGIAS POLÍTICAS momentaneamente em evidência ou a grupos e facções que aspiram ou mantêm o poder; 5. Em seu testemunho público, a igreja NÃO PODERÁ USAR MÉTODOS INCOMPATÍVEIS COM O EVANGELHO; 6. Estado e Igreja são grandezas separadas, em princípio, assim como a Constituição já define. No entanto, não é possível separar totalmente a responsabilidade do Estado daqueles da Igreja, apesar da necessidade de distingui-los. A Igreja desempenhará uma função crítica e alertará e lembrará as autoridades de sua responsabilidade em situações definidas, sem espírito faccioso e sempre com a intenção de encontrar uma solução justa e objetiva; 7. A Igreja busca o diálogo com o Estado, visando encontrar soluções para os problemas que afligem a sociedade e se sente chamada a cooperar com a educação das novas gerações; com a alfabetização de adultos; no apoio a ações sociais do governo; no combate a doenças, à pobreza, à marginalização do homem e em outras atividades que não seja de caráter puramente técnico; 8. Não é de interesse da Igreja contestar o poder do Estado, como se ela fosse um partido político, mas tem o interesse de proclamar o poder de Cristo. Quando houver a necessidade de contrariar medidas governamentais, procurará dialogar com as autoridades respectivas; 9. O Culto Cristão terá consequências políticas, por despertar responsabilidade política, mas não deverá ser usado como meio para FAVORECER CORRENTES POLÍTICAS DETERMINADAS. Pátria e governo serão objetos de intercessão da comunidade reunida para que possam promover justiça e paz entre os homens e os fieis darão graças a seu Senhor por estas preciosas dádivas; 10. É indispensável que nas escolas seja mantido, inequivocamente, o ensino cristão. A educação moral e cívica é necessária para suplantar o ensino cristão. O ensino moral e cívico, com bases ideológicas declaradas deixou imprecisos os limites entre a esfera da Igreja e a do Estado. Este deve ser teísta, mas aconfessional.


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