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É TEMPO DE PÁSCOA. É TEMPO DE REFLEXÃO.


Estamos no sábado, que sucede à 6ª Feira da Paixão, quando lembramos da morte de Jesus Cristo na cruz, mas que também antecede o Domingo de Páscoa, data em que comemoramos a ressurreição de Jesus Cristo.

É momento de reflexão, momento de pensar sobre nossas vidas, de pensar sobre nossa condição humana.

Revisando textos que escrevi em um antigo blog, que hoje se tornou no site www.educadorpontocom.com.br e que gerou a MEI - microempresa individual EDUCADORPONTOCOM Capacitação e Desenvolvimento, encontrei um texto de 2012, depois várias semanas acompanhando nosso sogro, avô e pai, que estava enfermo e acabou falecendo. Adaptei o texto e reproduzo aqui, como reflexão, neste período de Páscoa.

Terra à terra; cinza à cinza e pó ao pó. Três sentenças curtas, mas de grande significado. São sentenças que expressam uma crença, expressam a fé de quem crê e professa o que está na essência destas três sentenças. São sentenças fortes, contundentes. Terra à terra; cinza à cinza e pó ao pó são sentenças ditas em um ritual de um funeral.

Cemitérios são lugares sombrios, fúnebres. Há nestes lugares um ar de sofrida melancolia e doída solidão. Mas também um ar de paz e serenidade e de uma única certeza: todos os seres humanos terão este final, mais cedo ou mais tarde.

Certamente, muitos já tiveram a necessidade de participar de um velório e um enterro. Ou, antes disso, acompanhar um enfermo em seus últimos momentos. Durante este tempo, não há como não avaliar a nossa condição humana. Somos apenas mais uma gota no imenso mar de matéria. Somos um entre milhões. Somos alimentados, educados, passamos a ter nossas crenças e padrões e vivemos sob estas crenças. Ao final do nosso tempo, para onde vamos? Qual é o nosso verdadeiro fim? Teremos nós consciência, após a morte? Qual é o nosso destino? Aliás, o que é destino? Existe destino? O final de nossas vidas está previsto antes mesmo de chegarmos ao fim?

Aprendi nas minhas leituras, que a essência de nosso ser está vinculada à palavra “NEFESH”, palavra hebraica que se refere a todo ser. Segundo os hebreus, ao expressar os seres com a palavra "NEFESH", em especial o ser humano, temos a convicção de que não temos uma alma, mas somos uma alma. Nefesh é uma alma que caminha. Este é o significado da palavra NEFESH. Não não temos uma NEFESH, nós somos uma NEFESH. Assim, não temos uma alma, somos uma alma que caminha.

Adam, ou Adão, originado da palavra “Adamah”, que significa solo, chão, terreno, de onde o homem foi formado, segundo as escrituras. O homem foi criado do barro da terra e o Criador soprou o fôlego em suas narinas, tornando-se ele mais uma nefesh.

Assim, o homem foi criado a partir do barro e recebeu o sopro de vida. Não recebeu uma alma, mas se tornou uma “alma que caminha”.

Ter este entendimento modifica consideravelmente a nossa concepção de ser humano. Não há uma alma que está condicionada ao desenvolvimento de nossas ações no dia a dia. O destino da nossa alma não depende de como somos em vida. Portanto, não há uma predestinação das nossas vidas. Não cabe a afirmação: “o destino quis que fosse assim...”.

Nós fazemos o nosso destino. O destino vai depender de nossas atitudes e ações e não do que supostamente está escrito em algum livro da vida.

Não há uma instância superior onde nossa alma ficará vagando e aguardando o dia do juízo final. Quando morremos, perdemos o “sopro de vida”. Perdemos nossa alma, porque não temos uma alma, mas somos uma alma. Resta apenas virarmos pó e cinzas. Esse é o destino de todos. Retornar ao pó de onde viemos.

Até aqui, parece não haver uma saída para o ser humano. Mas, Cristo nos oferece uma saída. Como cristãos, temos uma crença, uma fé e eu, pessoalmente, dou testemunho desta fé sempre que necessário: “CREIO NA RESSURREIÇÃO DO CORPO”. Como isso é possível? Como isso acontecerá? Não cabe a nós buscar explicações. Cabe a nós crermos nisso. E eu creio. Assim vai ser. Chegará o dia em que todos nós vamos ressuscitar.

Como educadores, é importante que tenhamos também esta convicção, sob pena de entendermos que os nossos fracassos são obra do destino. Não há um destino que rege nossas vidas. Nós é que determinamos o nosso destino. Isso é profundo. Isso faz a diferença.

Em 2012, perdi meu sogro, o vovô Arno e, em 2016, a minha mãe, a Oma Erna. Ambos, muito antes de falecerem, certamente tinham esta convicção. A morte nunca os assustou, porque estavam preparados. O vovô Arno, dois anos antes de morrer, já tinha o seu túmulo pronto, a lápide revestida com mármore, apenas aguardando o letreiro de identificação, além de já ter praticamente todos os preparativos fúnebres contratados. Sempre que o visitávamos, ele queria nos mostrar o túmulo onde ficaria, mas nós não queríamos ver e ele sorria. Estava preparado. Tinha convicção da sua condição humana. Depois de uma parada cardio-respiratória, cerca de um mês na UTI, acabou falecendo. Não foi diferente com minha mãe. Ela lutou bravamente contra um câncer, durante três longos anos, mas nunca perdeu a fé e falava na ressurreição e na vida eterna.

Apesar do sofrimento, nos dois casos, o semblante de tranquilidade e serenidade me fazem sempre pensar, mesmo que ao fazê-lo, trago de volta a lembrança da dor e do sofrimento pela perda, qual é o nosso destino, para onde vamos e novamente renovo a certeza da minha fé: "do pó e das cinzas viemos e para o pó e cinzas vamos retornar. Mas há de chegar o dia em que todos vamos ressuscitar". Esta é a minha fé.

Prof. Uwe Roberto Strauss EDUCADORPONTOCOM Capacitação e Desenvolvimento www.educadorpontocom.com.br


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