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  • Uwe R. Strauss

AS LIÇÕES DE JETRO SOBRE LIDERANÇA


Nas últimas semanas, assistimos com certa regularidade à segunda temporada da série “Os Dez Mandamentos”, na canal de filmes NETFLIX. A série é uma reprise da novela, veiculada na Rede Record, em formato de série.

Já havíamos assistido à primeira temporada, no ano passado, mas foi na segunda temporada que chamou mais atenção trechos de diálogos, quando Moisés tentava guiar o povo hebreu pelo deserto.

São diálogos especialmente durante cenas onde aparece a mãe biológica de Moisés, a escrava hebreia “Joquebede”.

Joquebede aparece pouco na Bíblia, mas quando o faz, se mostra uma melhor gigante. Não fosse ela, Moisés teria sido assassinado pelo exército do Faraó, quando ele era um recém nascido.

Em vários momentos de dificuldade e com a desconfiança de movimentos reacionários por parte de um grupo de levitas, uma tribo dos hebreus destinada ao acompanhamento dos enfermos, especialmente dos leprosos, Moisés encontrava em Joquebede o apoio para o seu desabafo. Estas cenas acontecem no seriado, pois não há menção na Bíblia sobre estes diálogos. No entanto, diversos autores exaltam a grandeza desta mulher.

De qualquer forma, o que chamou atenção foi a forma como a personagem de Joquebede, a atriz Denise Del Vecchio, aconselha sobre as dificuldades de ser um líder.

Em um destes diálogos, Joquebede menciona que todos querem um líder que seja firme e forte, mas no momento em que este líder toma decisões, nem sempre estas são do agrado de todos. Sempre haverá aquele que questiona o líder e que vai querer “derrubá-lo”.

Avaliamos, por algum tempo, sobre este diálogo e comparamos com situações contemporâneas que conhecíamos. Um líder está sempre cercado de pessoas, mas é alguém que está sempre só. Por mais que o líder tenha contribuído com um grupo de pessoas e por mais que este grupo tenha se desenvolvido, o líder sempre será apontado por algo que deveria ter feito melhor ou deveria ter feito diferente. A premissa de um povo é de que o seu líder seja perfeito, que tenha as respostas para todas as perguntas e que tenha as soluções para todos os problemas.

Mas também é verdade que um líder é uma pessoa comum que, em algum momento, consegue se destacar em circunstâncias extraordinárias. É em momentos como este, que a liderança desperta e o potencial escondido se revela.

Neste momento, o líder passa a inspirar confiança e entusiasmo nos outros. Mas também é neste momento que as cobranças são feitas e que todos querem resultados. E o líder se vê acuado e só.

Com Moisés não foi diferente. A Bíblia o cita como um líder extraordinário e menciona que nunca mais houve um líder como Moisés.

Moisés também iniciou liderando o povo Hebreu, assumindo o seu papel e tentou, sozinho, aconselhar, direcionar e encarregar-se das tarefas concernentes ao governo de quase um milhão de pessoas. E quase sucumbiu.

Foi a visita de seu sogro Jetro que trouxe sábios conselhos com relação a delegar poderes e designar tarefas.

“Vendo, pois, o sogro de Moisés tudo o que ele fazia ao povo, disse: Que é isto que tu fazes ao povo? Porque te assentas só e todo o povo está em pé diante de ti, desde a manhã até a tarde? Então disse Moisés ao seu sogro: É porque este povo vem a mim para consultar a Deus.” (Êxodo 18.15)

Jetro, então, lembrou-lhe que era preciso delegar, caso contrário, a carga seria muito pesada. E Jetro aconselhou Moisés a estabelecer líderes de mil, de cem, de cinquenta e de dez.

Este conselho foi dado há mais de 3000 anos atrás, mas continua atual. Um líder deve se concentrar nas questões mais importantes e delegar as questões secundárias para seus auxiliares

O gestor mais alto de uma organização não pode se ocupar com questões operacionais e, quando o fizer, que seja algo grandioso, que não foi possível ser resolvido pelos seus auxiliares e assessores.

Um gestor deve se responsabilizar pela visão macro da instituição, deve ter tempo para pensar e planejar a instituição.

Eu lembro de um episódio que aconteceu comigo, quando reformávamos um espaço físico, para abrigar uma unidade. Estávamos na fase de aplicação de azulejos em banheiros e eu procurei um dos integrantes do Conselho Administrativo da instituição, para trocar ideias. Muito ocupado com seu negócio pessoal, este me disse: “Decida o que for melhor. Mesmo se errar, você errou tentando acertar”.

Em um episódio parecido, uma colega Vice-Diretora, às vésperas de um grande evento, soube que seu Diretor estava viajando para a Alemanha, para encontros com escolas alemãs. Apavorou-se e questionou, como faria durante o evento? O Diretor lhe respondeu: “Quando necessário tomar uma decisão, decida da melhor forma e justifique quando eu voltar”.

Eu já conhecia os conselhos de Jetro a Moisés, mas foi importante relembrar, o que fez lembrar dos dois episódios acima. Entendi com estes dois exemplos que, como líder, devo me cercar de pessoas competentes e capazes, para que eu possa delegar poderes e designar tarefas, tendo mais tempo para uma visão macro da instituição e mais tempo para planejar e acompanhar a execução dos planos.


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