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  • Uwe R. Strauss

PÁTRIA É O LUGAR ONDE VIVEMOS


Eu sou um colecionador de coisas. Não, não estou falando de coleção de moedas, selos, rótulos ou outra coleção. Estou falando que armazeno e guardo muitas coisas das quais usei em algum momento, ora na vida pessoal, ora na vida profissional.

Não é por menos que, ao fazer uma mudança de residência, os responsáveis pela mudança ficam apavorados com a quantidade de caixas, com arquivos, pastas e livros.

Já está melhor, pois muitos livros ficaram nas bibliotecas das escolas por onde passei. Além disso, muitos documentos, textos e outros escritos estão sendo digitalizados e não ocupam mais espaço.

Esta semana, ao organizar alguns arquivos digitalizados, deparei-me com um texto que escrevi para um Boletim Informativo, na escola de Tramandaí, onde atuei como Diretor.

Trata-se de uma reflexão sobre um episódio ocorrido durante um Momento Cívico, atividade que reunia os alunos para o Hasteamento das Bandeiras e reflexão sobre o civismo.

Optamos por uma dinâmica de reflexão com alunos, professores, funcionários e comunidade escolar sobre o nosso civismo e tínhamos por objetivo refletir sobre algumas questões: sobre o nosso espírito cívico e como queremos manifestar o amor pela pátria e pela nação? Algumas reflexões surgiram e provocaram a avaliação. Mas, lembro que uma reflexão em especial causou a minha preocupação.

Em uma das interações com os alunos, na minha intervenção, depois de perguntados, vários manifestaram o desejo de ter nascido em outro país e não no Brasil.

Ora, isto aconteceu em 2008, mas vejo que o desejo ainda permanece idêntico para muitos dos nossos jovens e adolescentes. Qual a origem deste desejo?

Penso que é fruto do atual momento no qual vivemos. Falta de decoro e ética e falta de honestidade são a tônica nos escândalos públicos veiculados pela mídia. Mas, seria a culpa dos nossos governantes e políticos?

Sim, estamos indignados com nossos governantes e políticos, mas também temos uma significativa parcela na culpa por este desejo manifestado pelos jovens. A culpa é nossa quando também falhamos na ética da nossa conduta pessoal. Falhamos quando não denunciamos as falhas e erros que acontecem ao nosso redor. Eu costumo trabalhar com este conceito junto às crianças, jovens e adolescentes. Nós temos o direito e o dever de denunciar quando algo não está correto.

Mas também temos culpa quando não avaliarmos melhor o perfil e a conduta dos candidatos, quando votamos neles. Nem vamos pensar, neste momento, naqueles candidatos a cargos federais. Pensemos nos candidatos a cargos eletivos nos municípios. É onde moramos e é onde aparecem os principais impactos de uma escolha inadequada. De que adianta pensar em mudar o globo, se não mudamos a nossa aldeia?

Assim, se o lugarmos onde vivemos não é o que queremos, não adianta pensar em mudar para outro lugar, pois quem faz o lugar ser aquele que queremos somos nós mesmos.

A injustiça, a falta de ética e tantos outros problemas somente serão solução se nós fizermos a nossa parte. Não é mudando para um outro lugar que resolveremos o problema. A solução está em nós e começa em nossa casa.

Somente teremos um outro país, do jeito como queremos se, na nossa própria casa, preservarmos valores como ética, justiça, igualdade de direitos, retidão na conduta, oportunidade para o diálogo franco e, principalmente, estabelecer e observar limites.

E porque não pensar sobre isso justamente hoje, dia 7 de Setembro, dia da Independência do Brasil?

Prof. Uwe Roberto Strauss

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