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CONSIDERAÇÕES SOBRE O ALUNO DO ENSINO FUNDAMENTAL


Aos sete anos, a criança ingressa numa fase de forte escolarização.Aprender a ler e a escrever não é apenas um conteúdo do 1º Ano do Ensino Fundamental, é símbolo do que a escola significa como instituição, porque é a isso que os pais associam o local quando querem contar aos filhos o que virá pela frente. As crianças chegam às séries iniciais mais conhecedoras do mundo, por causa dos estímulos eletrônicos, visuais e escritos que vêm recebendo desde a educação infantil.Cognitivamente, estão adiantadas, reconhecem especialistas, mas não apresentam igual desenvolvimento motor ou afetivo. A defasagem motora se manifesta na tarefa de cópia, por exemplo. Acostumadas ao mouse, as crianças encaram com dificuldade o baixar e levantar a cabeça para repetir no caderno, usando um lápis na mão, o que lêem no quadro. Respeitar os limites das linhas também é um aprendizado a ser conquistado. Os recreios são elétricos; é a hora e o local em que se extravasam a energia contida em casa, onde geralmente não têm espaço para atividades físicas primárias.Nos sete anos seguintes, essa escolarização tende a ficar mais complexa, principalmente a partir da 5a série, quando os conteúdos se segmentam em até uma dezena de disciplinas.A estrutura escola mais fixa, com horários e compromissos ainda não experimentados na educação infantil, exige uma postura da criança que vai parecer maturidade. Mas, em geral, isso é bastante superficial. Afetiva ou socialmente, ela ainda oscila muito. Não há uma regularidade.Normalmente, são bem abertos, falam tudo para a professora, contam na escola muito do que acontece em casa e vice-versa.Nas séries seguintes, há curiosidade sobre o corpo do outro, mas não com intuito sexual, sem leitura maliciosa. Aparecem brincadeiras do tipo: os guris são empurrados para dentro do banheiro feminino por outros meninos, apontam/comentam entre eles quando vêem a calcinha das meninas.Na competição entre amigos, risco no afrontamento físico para medição de forças, para demonstrar poder. Já há os melhores amigos, mas são comuns pequenas brigas, juras de nunca mais se falarem – que duram poucos dias, às vezes horas.No 1º e 2º Anos do Ensino Fundamental, apresentam pensamento intuitivo, dominam conceitos de espaço, tempo e causa. A compreensão passa pela fantasia, daí o interesse por histórias em que apareçam situações familiares, fábulas e contos de fada.Adaptar-se a uma rotina mais regrada e aprender a respeitar horários é tão importante como as primeiras noções de escrita ou de matemática no 1º Ano. Para isso, os pais são importantes. É época de assegurar hábitos de estudo.No 3º e 4º Anos, terão capacidade para classificar, enumerar e ordenar. A criança ganha independência na leitura. Sabe a diferença entre o real e a fantasia. Têm autocrítica e são capazes de criticar os pais.A partir do 5º Ano do Ensino Fundamental, a exigência de cadernos limpos, bonitos e com letra legível por vezes pode parecer impossível muito pela questão biológica. Organização é o maior desafio para quem ingressa na puberdade, precisa dar adeus à infância desconhecendo o que virá a seguir.Até o 5º Ano do Ensino Fundamental, manter atenção na sala de aula é suficiente para responder bem aos estímulos. A partir do 5º Ano do Ensino Fundamental, será preciso ter um horário em casa para estudar. Agendas, para se organizar com datas de provas e trabalhos, ajudam.No 7º Ano do Ensino Fundamental, as operações formais iniciadas no 5º Ano dão um impulso. Esse pensamento formal significa conseguir abstrair, para entender, por exemplo, análises sintáticas em língua portuguesa, frações em matemática ou o conceito de volume em ciências.A escola, ao analisar o aluno e discutir “o que aprender” e “o que ensinar” , tem como pressupostos o que segue: Existem, basicamente, pelo menos duas correntes para explicar o conhecimento: 1. VISÃO ONTOLÓGICA (EMPÍRICA):1.1. o CONHECIMENTO ESTÁ PRONTO;1.2. Alguns “iluminados” construíram o conhecimento e isto não muda;1.3. São inteligentes os que memorizam conteúdos;1.4. São verdades imutáveis:1.4.1. “Isto se ensina...”1.4.2. “Ensinar é repetir conteúdo...”1.5. O papel da escola é trazer o conteúdo sistematizado (mastigado);1.6. O papel do professor é passar o conteúdo...1.7. Qualidade = Quantidade 2. VISÃO “CONSTRUTIVISTA”:2.1. o Ser Humano é sujeito da história;2.2. Conhecer é representar mentalmente o objeto;2.3. Não há seres mais sábios e outros menos sábios;2.4. Não se fala em verdades prontas. A verdade é construída por nós. Não temos mais um modelo a seguir;2.5. Papel da escola: local para organizar as idéias;2.6. Papel do professor: instrutor e facilitador (ou dificultador???) do acesso ao conhecimento O QUE É ENSINAR? Nós não queremos passar conteúdos, mas aquilo que serve à realidade dos alunos, ou seja: possibilitar ao aluno interagir com o meio. Por isto perseguimos o princípio da INTERDISCIPLINARIDADE. Na visão empírica, os conhecimento são organizados em disciplinas e a ênfase é dada à transmissão de conteúdos, segundo uma hierarquia vertical. Nós queremos eliminar pré-requisitos e interligar as disciplinas, permitindo uma maior integração.A preocupação com as faixas etárias e divisão em séries correspondentes é procedente considerando os teóricos da educação. Segundo os teóricos da Psicologia do Desenvolvimento, é nessa faixa etária que se inicia no indivíduo o processo do pensamento em termos formais. Piaget chama este estágio de desenvolvimento da inteligência de “operações formais”. É a última aquisição mental quando então o adolescente se liberta do concreto e é capaz de aplicar, a uma determinada realidade, um conjunto de transferência possíveis. Nesta fase ele já dá demonstrações de ser capaz de lidar com a “lógica combinatória e com problemas em que muitos fatores operam ao mesmo tempo” (Elkin, 1972).Conforme Beilich, a característica desta idade se dá pela “construção de uma fachada prática, realista, ordenada racionalmente diante de um pano de fundo mágico-aventuresco, pseudo-realísticamente mascarado”. É neste fase que surge a capacidade de utilização de um segundo sistema de símbolos, ou seja: um conjunto de símbolos para símbolos. Ex: códigos variados, a álgebra, etc... Esta capacidade de simbolizar com símbolos torna o pensamento mais flexível. O instrumento do pensamento é a linguagem ou qualquer outro sistema de símbolos. A capacidade de construir idéias ou situações contrárias à realidade também se situa como característica desta fase do pensamento. A questão da argumentação está muito presente nesta fase, onde a criança quer verificar o que é significativo e coerente e o que não é. O aluno já não se contenta com a resposta, a decisão ou o posicionamento por si só. Ele quer saber o porquê desta atitude. É, por exemplo, nesta faixa etária que os aluno exigem e cobram muito a organização, embora, contraditoriamente, eles se apresentam com o comportamento de muita desorganização. Percebe-se, como decorrência, a importância dos professores (e, por que não, dos pais também?) na sua postura quanto ao uso de regras, disciplinas que reforcem suas capacidades e sua autoconfiança em suas aprendizagens. Decorre daí, também, a importância de um agir sério e comprometido com a regra: fez promessa, cumpra a promessa.O 6º Ano do Ensino Fundamental é uma etapa da vida escolar em que os alunos estão sempre às voltas com a troca dos dias em que precisam apresentar as tarefas de casa. Trazem aquela que seria para o dia seguinte e não a indicada para o dia. Lutam com a dificuldade de se localizar em horários fragmentados. Teoricamente, horários fragmentados não servem para esta série, como, da mesma forma, não serviriam para nenhuma outra. Mas é aqui que os alunos precisam, para a produção de um situar-se no tempo mais sistemático, de uma organização de seu tempo mais metódica. Esta tarefa de auxiliá-los é da escola e dos pais.Uma outra característica específica desse momento da vida é a diferenciação sexual no sentido da organização de grupos. As meninas preferem ficar mais afastadas dos meninos e tornam-se possessivas em relação às suas amizades. Os meninos manifestam-se com muita atividade, energia e “tagarelice”. Embora isto seja também característico nas meninas, os meninos salientam com mais constância essas atitudes. São barulhentos e “fofoqueiros”, como dizem as suas colegas.É também próprio desse período de desenvolvimento das crianças o início do exercício de liderança/coordenação. A liderança é exercida de forma natural, sem imposições, embora seja comum a disputa e a concorrência para definir a liderança.O afetivo e o emocional são muito importante no entendimento interno do grupo. Há, entre eles, muitas vezes, dificuldades de organizar as críticas, as brigas internas do grupo e, sentem-se, então, muito “machucados” com esses problemas e as observações que lhe são feitas dentro do grupo. Misturam a delicadeza, o cuidado no trato, com a agressividade, a fúria “cega”, mesmo com o seu grupo ou seus amigos mais queridos. Com o professor, ainda mantém uma relação mais emocional.É a época dos segredos e das fantasias, em especial do grupo das meninas. Inicia-se, também aí o cuidado com o seu “visual”. O aluno já não se percebe mais apenas como o centro do mundo, mas alguém que busca “ser importante” e aceito pelos outros e pelo grupo.No primeiro mês de aulas, estes alunos apresentam grandes desorganização, pouca capacidade de leitura em termos “do que se exige” para a série, problemas de ortografia e resistência à criação d”expontânea de atividades”. Constitui-se problema, também, para esses alunos a adaptação ao grande número de disciplinas e à presença de vários professores.Pensando-se o currículo no todo do ensino Fundamental, visualiza-se a seguinte relação sequencial e ordenativa:a) Os quatro primeiros anos do Ensino Fundamental, com a posição de anos iniciais do ensino fundamental têm a função de instrumentalização para o aprender. Privilegia-se um currículo cujas atividades centram-se na relação “o quê?”, “para quê?”. Aí se dá o processo de alfabetização por excelência.b) O 5º Ano é uma série de fundamentação das aprendizagens feitas na primeira etapa – séries iniciais – e de prospecção para as séries finais. Como o núcleo básico da prática pedagógica propõe-se a sistematização, cuja relação essencial é “o quê?”, “por quê?”. O contúdo do ensino e da aprendizagem precisa ser compreendido em seus “porquês”, isto é, em seus elementos estruturais e relações que se referem à dimensão histórica;c) O 6º, 7º, 8º e 9º Anos do Ensino Fundamental constituem-se, com relação ao currículo do Ensino Fundamental, em séries de análise, enfocando o conhecimento num aprofundamento de sua especificidade estrutural, tomando para isso itens que ampliam o campo da identificação e da compreensão dos campos do saber.d) O 9º Ano, como série final do Ensino Fundamental, precisa completar o processo pedagógico deste nível de ensino, mas precisa garantir também uma possível continuidade no Ensino Médio. Nesta série, as relações a serem compreendidas profundamente são as do “o quê?”, “por quê?” e “como?”.


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