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  • Brasílio Andrade Neto

DESENVOLVA-SE


Não passa uma semana sem aparecer uma novidade na área tecnológica. É o novo celular que responde e envia email. É o computador com mais memória e rapidez nos cálculos. São os carros com computador de bordo, air bags e outras inovações em modelos de vida cada ve mais breves (lembra quanto tempo o Corcel e o Opala estiveram entre nós sem mudar absolutamente nada? E o Fiat 147?). Em breve, prometem os especialistas, a geladeira irá perceber o que está faltando e enviar para seu supermercado preferido uma lista de compras.
Enfim, vivemos em uma época onde tudo parece já ter sido inventado e o que ainda não foi é apenas uma questão de pouco tempo. As novidades tecnológicas alastram-se e se tornam cada ve mais acessíveis. Ou seja, não são mais materiais que nos causam orgulho. Quem vai contar vantagem a respeito de seu celular, quando na próxima semana o colega ao lado pode aparecer com um mais avançado ainda? Dá para se vangloriar de um computador que, dois anos depois, é visto pelos outros como uma peça de museu?
Já que não podem depender das máquinas, as escolas e empresas em geral começam a procurar outra maneira de mostrar que são melhores do que os concorrentes. Está aberta a temporada de caça aos melhores professores. É uma caçada que não tem hora para acabar. E é altamente seletiva. Só interessam os professores que são apixonados pela arte de ensinar. Que conhecem e jogam o jogo da nova realidade econômica e dos negócios. Que sejam craques no relacionamento pessoal. Que sejam competentes, no mais puro significado da palavra.
A ERA DAS COMPETÊNCIAS: Está ao alcance de todos se tornar esse novo professor. É o que nos mostram os livros Faça Diferença e O Livro das Competências. O primeiro foi escrito por Gustavo Boog, professor de pós-graduação da Faculdade de Administração da Universidade de São Paulo - USP e da Pontifícia Universidade Católica - PUC, do Paraná. O autor do segundo livro, Ênio Resende, é especialista entre matérias, em Gestão por Cpompetências e leciona em cursos de especialização, mestrado e MBA.
Em seus livros, alerta: com a evolção rápida das tecnologias e os novos conceitos e modelos de organização, numerosos cargos e profissões estão desaparecendo e outros, surgindo. Os prifissionais de qualquer área de atividade que pararem de se atualizar, de renovar suas qualificaçãoes serão penalizados com a dificuldade de encontrar novas oportunidades de trabalho.
Para o professor, há ainda uma dificuldade maior: os currículos escolares ainda predominantes nos níveis fundamental e médio mostram pouca utilidade para a vida prática. Não qualificam ninguém para exercer qualquer profissão. Tampouco ajudam as pessoas a terem mehor atuação ou conduta em situações de vida social. O que significa dizer que as escolas não formam pessoas competentes.
O docente, então, se encontra em uma posição única: precisa se tornar mestre nas competências que o mercado exige para poder passá-las aos discentes - antes que eles sofram com a falta dessas qualidades.
FORÇAS CONFLITANTES: Pergunte a qualquer instituição de ensino e você irá conseguir as mesmas respostas: sim, queremos professores que pensem po rsi. Que deem melhores aulas. Que estejam sempre ligados no que está acontecendo. Ótimo, você começa a correr atrás disso tudo. Nessa hora, alguns professores e diretores preferem parar, pensar um pouco, subir no muro e só descer quando é tarde demais. Até se entende essa reação. Afinal, as lições recebidas desde sempre ainda batem forte. Veja:
I - Ter boas instalações e equipamentos é primordial. Afinal, não temos escolas técnicas de ensino médio? Nossas faculdades não formam técnicos em nível superior? Tudo que é técnico, máquina, números, pedra, vidro e aço é bom. Gente, comunicação entre pessoas, bom humor, prazer em ensinar, intuição, palpites, tudo isso é assunto de pouca importância. Ou, de acordo com a expressão mais comum, "frescura". O máximo que se atinge é a troca de textos motivadores entre os professores.
"As pessoas que se sentem bem consigo mesmas produzem trabalhos com qualidade"
John Spencer
II - É para ontem. É urgente. Trabalhamos pensando praticamente no aqui e agora. Poucos faem um curso pensando que ele irá ser útil lá na frente. Até porque uma das frases mais repetidas entre empresários de vários níveis no Brasil é: "No longo prazo, todos estaremos mortos". Enquanto isso, empresários japoneses fazem planos para suas empresas para os próximos 300 anos.
III - O planejamento é mantido no mínimo necessário. A maioria afirma que é perda de tempo, afinal, quantas vezes você já teve de "correr com a matéria", pois o planejamento das aulas não funcionou? A falta de planejamento é como ter um navio indo, indo, sem saber para onde.
Dessa forma, não é de se espantar que muitos professores desanimam e procuram outras instituições para trabalhar. Cria-se assim uma situação interessante: as organiações competentes atraem professores competentes. E, logicamente, os professores que não se preocupam em se desenvolver, acabam limitados a aulas de pouco futuro e expressão.
COMEÇANDO PELO COMEÇO: Mas, afinal, o que é essa tal de competência, da qual tanto se fala? Em poucas palavras, competente é alguém que sabe e quer fazer. Simples erudição e inteligência não significam competência. Todo mundo conhece histórias de pessoas inteligentíssimas que acabaram na miséria. O professor Ênio Rezende afirma que pessoas "letradas" são apenas potencialmente competentes. Sem a ajuda da força de vontade, nada acontece.
O problema é que muitas pessoas não sabem como ligar essa força de vontade, pois desconhecem o que é importante para elas. Não conhecem suas próprias crenças e valores de mundo. Assim que você definir o que é realmente importante, terá dado um grande passo em direção ao sucesso de sua carreira. Parra isso, é importante, primeiro, desaprender certas coisas. Por exemplo: se você fica repetindo para si: "nunca vou trabalhar para o bando de ignorantes desse colégio", está fechando algumas portas sem razão,. Procure analisar o que causa a você esta aversão.
Muitas vezes, tudo começa muitos anos atrás com uma discussão entre o seu pai e o agora Diretor do colégio, quando os dois ainda jogavam no mesmo time de pelada.
AS COMPETÊNCIAS ESSENCIAIS: Segundo os autores, todos podem desenvolver diferentes tipos de competências que são necessárias ao sucesso profissional. Acompanhe:
1. Competências do conhecimento: Conhecimento, informação e saber são as moedas mais importantes de nossa era. VocÊ provavelmente já ouviu essa frase em algum lugar. O problema é que essas competências estão sendo supervalorizadas. Muitos as desenvolvem, esquecendo completamente das outras. Busque o equilíbrio.
2. Competências técnico-operacionais específicas: São aquelas competências que sempre fazem falta em um domingo à noite. Imagine a cena: seu carro pifa no meio de uma rua ou estrada deserta. Resignado, você levanta o capô, olha para o motor e emite seu diagnóstico técnico "hmmmmm"... E fica esperando que passe alguém altamente competente no setor técnico-operacional: um ás, um mecânico. Temos de reconhecer que algumas pessoas nunca vão conseguir consertar uma tomada. Isso não quer dizer que os professores não possam resolver suas competências técnico-operacionais. Ser capaz de reconhecer diferentes tipos de plantas ou pinturas é indispensável para o perito em Botânica e Artes; a capacidade de elaborar apostilas, livros é sempre bem-vinda a qualquer educador. Como desenvolvê-la: Sem pressa. Quanto mais você acumular experiências e conhecer-se, mais essas competências se desenvolverão. Faça Palavras Cruzadas e outros exercícios mentais para manter sua mente aberta.
3. Competências intelectuais: O potencial intelectual reúne pouco mais de duas deenas de tipos de inteligência. Entre eles, as capacidades de compreensão, de extrapolação (tirar conclusões), de discernimento, de concentração, de dedução, de lógica, de criação. No caso específico do professor, são necessário: raciocínio verbal, boa memória, capacidade de avaliação e discernimento. Quanto mais se combinam ou se associam essas aptidões, mais aumenta o potencial de competência intelectual. Como desenvolvê-las: Fale com pessoas diferentes, motoristas de ônibus, vigias, leia livros para aumentar seu poder de síntese. Leia filmes e tente resumí-los em poucas frases.
4. Competência emocional: Todos ouviram falar dessa competência, desde que o livro Inteligência Emocional, de Daniel Goleman, foi lançado. O que a obra mostrou é que a inteligência afeta as emoções e que as emoções afetam a inteligência. Como desenvolvê-la: Controle a irritação, o nervosismo e a agressividade. Fique calmo em uma discussão. Controle o entusiasmo e euforia. Manter o bom humor em situações complicadas.
5. Competência espiritual: Um dos problemas da vida moderna é a ênfase exagerada às questões materiais em detrimento dos valores espirituais. Esse desequilíbrio pode levar indivíduos e populações a comportamentos indesejáveis de sentimento de vazio, escapismos, solidão, degradação de valores, deterioração do tecido familiar e social, entre outras consequências desastrosas. Como desenvolvê-la:
a. pratique exercícios de reflexão e conscientização a respeito dos valores da vida e do potencial humano;
b. interesse-se por atividades, situações, símbolos, objetos que contenham valores espirituais;
c. equilibre e usufrua adequadamente dos prazeres físicos, emocionais, intelectuais e espirituais.
6. Competências físicas: Quanto mais você se movimenta (se exercita fisicamente) mais tem energia e mais bem-humorado serão suas aulas. Como desenvolvê-las:
a. caminhar
b. movimentar-se de alguma maneira (não ter vida sedentária)
c. fazer ginástica
d. praticar algum esporte
e. tomar muita água
f. rir
g. trabalhar
7. Competência de vida: De certa maneira, elas são reuniões de outras competências, como alerta o professor Ênio Resende. Veja:
a. conseguir administrar a sua vida, conciliando a dedicação ao trabalho e à família, ao lazer e ao autodesenvolvimento;
b.ser uma pessoa com espírito de cidadania, procurando integrar suas buscas e metas pessoais com o ointeresse e contribuição para um mundo melhor;
c. entender que é necessário aprender a conviver com dificuldades e imperfeições;
d. conquistar seus espaços e sucessos pelo seu valor, sem prejudicar os outros;
e. manter uma condição saudável de vida, cultivando alegria, otimismo e visão positiva da vida;
f. entender que a felicidade não se compra, mas que se conquista diariamente em pequenas coisas e realizações;
g. apreciar e agradecer pelo ar que respira, o alimento que come, pela saúde que tem, pela oportunidade do trabalho, pela capacidade de pensar e criar e pelo privilégio de poder fazer amizades e amar as pessoas.
O que você pode conseguir com essa maneira de encarar a vida? Adaptando uma história do livro "Faça a Diferença":
"Em seu primeiro dia de aula, o professor novato perguntou ao mestre mais antigo daquele colégio:
- Como são os alunos daqui?
- Como eram os alunos do colégio onde você saiu?
- Nem me fale, eram um teste para a paciência. Não prestavam atenção nas aulas, só se importavam consigo mesmos, nunca davam a mínima para o estudo...
- Então os alunos daqui são exatamente iguais.
E o novato se afastou, já se preparando para enfrentar as provações e dificuldades.
Logo em seguida, uma outra professora, também recém contratada aproximou-se do velho educador:
- Como são os alunos daqui?
- Como eram os alunos do colégio de onde você saiu?
- Ah, eram maravilhosos, sedentos para descobrir o mundo, atenciosos, sempre prontos para tentar novas coisas...
- Então os alunos daqui são iguais aos do seu antigo colégio."
Nós percebemos o mundo de acordo com os nossos referenciais, experiências e formas de agir. Ajuste sua atitude, desenvolva suas competências e o mundo inteiro mudará.


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