Buscar
  • Uwe R. Strauss

LEGIÃO DE CAMELOS


"Uma caravana de camelos atravessava o deserto. Chegou a hora do descanso e o cameleiro preparava-se, como habitualmente fazia, para prender os camelos às estacas, quando verificou que faltava uma estaca.

Não sabendo como resolver o problema, perguntou ao mestre da caravana:

- Mestre, falta-me uma estaca para um camelo. Como fazer?

- Não terá problema. Eles estão tão habituados a ficar presos que, se tu fingires que atas o camelo com a corda, ele pensará que está preso e nem sequer tentará sair do lugar.

O cameleiro assim o fez e o camelo ali ficou toda a noite.

No dia seguinte, quando se preparava para partir, o mesmo camelo simplesmente recusou-se a sair do lugar, mesmo quando o cameleiro o puxava com toda a força. Sem saber que atitude tomar, dirigiu-se de novo ao mestre, contando-lhe o sucedido.

- Homem, respondeu-lhe o mestre. Que fizeste ontem? Não fingiste que o ataste à estaca? Então faz o mesmo hoje. Finge que o está desamarrando.

Assim que o cameleiro fingiu que o desatava da estaca imaginária, o camelo recomeçou a caminhada."

Autor Desconhecido

Eu costumo acompanhar os comentários na mídia e nas redes sociais a respeito do desempenho de alguns indicadores que medem a qualidade na educação.
Recentemente, foram divulgados os resultados do IDEB - Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. Neste ano, o Estado do Rio Grande do Sul ficou em segundo lugar, junto com o Estado de SP, quando em 2011, a colocação do RS era no décimo lugar.
O Governo Estadual apressou-se em divulgar os dados e comemorar o desempenho da Rede Estadual. Ora, os resultados do IDEB têm por base somente a Rede Estadual? A Rede Privada não participa deste resultado? É claro que participa e tem uma contribuição significativa para este resultado.
Ainda assim, os resultados do Brasil ficaram aquém da meta para o Ensino Fundamental e Médio.
Como educador, tenho um carinho especial pelo tema "avaliação" e sempre defendi que a avaliação é algo muito complexo e que precisa considerar vários aspectos.
De uma forma muito abreviada e sem grandes desdobramentos sobre o tema, posso considerar que alguns destes aspectos são:
1. A avaliação pode ser diagnóstica ou classificatória;
2. A avaliação diagnóstica identifica o desempenho do aluno, mas também do professor no seu exercício de prover a educação. Se uma avaliação tem um índice acima de 20% de insatisfação, o primeiro a ser avaliado é o próprio professor. Não que tenha sido incompetente, mas talvez tenha previsto avaliar os alunos sem que todas as questoes pertinentes estivessem resolvidas. Cabe, então, ao professor verificar o que não foi compreendido pelo aluno e retomar, talvez com outras estratégias eoutros recursos que permitam o entendimento;
3. A avaliação classificatória difere da avaliação diagnóstica. É uma avaliação que tem como finalidade a classificação do público que participa desta avaliação. Uma avaliação classificatória pode ser extremamente simples e de baixa complexidade ou extremamente difícil e de alta complexidade. O resultado não vai definir o perfil de quem realizou a avaliação mas, sim, posicioná-lo em um ranking. Se a avaliação for de baixa complexidade, assim o será para todos e deveremos ter resultados de alto índice para a grande maioria. Se a avaliação for de alta complexidade, assim o será para todos e deveremos ter resultados de baixo índice para a grande maioria. O que importa, neste caso, é a posição que cada um ocupa no ranking;
4. Portanto, avaliação diagnóstica pressupõe investigar o nível de conhecimento de um determinado público e avaliação classificatória tem como propósito o posicionamento do perfil deste público ou de um ranking;
5. Não há porque confundir avaliação diagnóstica com avaliação classificatória, assim como não há como confundir avaliação comportamental com avaliação cognitiva. Na prática, acontecem de forma simultânea. Didaticamente são momentos distintos. Ao realizar uma avaliação com caráter classificatório, também está se realizando uma avaliação diagnóstica.
6. Ao elaborar um instrumento de avaliação, há que se considerar os aspectos de fidelidade, fidedignidade e perfi do público-alvo. Por outro lado, a avaliação de indicadores em uma pesquisa estarística não pode levar em conta apenas os números absolutos de um resultado. Há que se considerar a conjuntura e aspectos específicos destes indicadores.
Há muito tempo tempo tenho sido um crítico de algumas medidas adotadas na educação. Por exemplo, escola não é espaço para prover a alimentação do seu público. Mesmo que tenha que considerar as estatísticas de desnutridos, alcançar à escola a tarefa de se responsabilizar pela nutrição é usar uma medida paliativa e que desvia o foco da verdadeira raíz do problema, ou seja: a mã distribuição de renda e que cria as faixas sociais.
Outro aspecot, é a criação de cotas para alunos de etnias desprestigiadas ou para alunos oriundos de escola públicas, o que não me parece resolver o problema. As etnias desprestigiadas assim o são por uma questão histórica e cultural e a solução para prover um maior prestígio e a igualdade social está nas políticas públicas, na melhor distribuição de renda e na criação de mecanismos que permitam o acesso de todos à educação, de forma concreta e abrangente e não por intermédio de dispositivos paliativos.
O pior exemplo é quando se designa às escolas a tarefa de servirem como ferramentas de políticas públicas que beiram ao cômico. Um exemplo que já vi diversas vezes é o de distribuição de preservativos nas escolas. O outro exemplo, menos agressivo, é o de utilizar os profissionais da educação para campanhas de vacinação de público externo às escolas. Com isso, não quero dizer que estes profissionais não possam ser voluntários. Porém, não entendo adequado vincular a tarefa à função destes professores, em horário em que deveriam estar em sala de aula.
A educação é uma ferramenta extremamente eficaz e com um potencial enorme, mas aqui no Brasil não é utilizada de forma eficaz.
Estamos amarrados a estacas mentais que nos impedem de avançar e provocar uma verdadeira revolução. Esta revolução passa pela educação. Nós só não avançamos porque estamos presos à nossas "estacas mentais".
Estas estacas são fruto da nossa acomodação.

Prof. Uwe Roberto Strauss

www.educadorpontocom.com

e-mail: urstrauss@terra.com.br


2 visualizações

© Todos os direitos reservados
     Criado por:

EDUCADORPONTOCOM Capacitação e Desenvolvimento é pessoa jurídica, registrada no CNPJ sob o nº 27.900.272/0001-02
Rio Grande do Sul - Brasil

WERKSTATT STUDIODESIGN